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A Análise Financeira e O Controle Gerencial: Suportes primordiais para o sucesso das Empresas junho 20, 2008

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Por: Janaina Ferreira Marques de Melo

Nos dias atuais é de fundamental importância para a sobrevivência de qualquer entidade, o acompanhamento de suas tendências e do desempenho financeiro e de rentabilidade. Felizmente com o progresso da tecnologia e o surgimento da Globalização, a contabilidade evoluiu de tal modo, que tornou-se ferramenta importante para as empresas na tomada de decisão. A análise das demonstrações financeiras para toda a comunidade tornou-se essencial, pois é a partir dela que se pode verificar o sucesso dos negócios, suas deficiências e posteriormente uma solução viável. O analista tem o poder de interpretar as informações disponíveis, emitindo seu parecer para assim analisar com cautela as situações duvidosas, ocorridas pelo fato das informações não serem suficientemente claras, muito embora, deve-se salientar que a análise tem que ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações, sendo assim complementada pela Controladoria que supre todas as suas deficiências. A associação da análise com o controle gerencial, transformaram-se em suportes primordiais indispensáveis, principalmente nas grandes empresas, que estão cercadas de riscos internos e externos. Competem aos empresários de estarem atentos a todas essas mudanças e os profissionais da contabilidade sempre estarem se atualizando , pois o mercado de trabalho e todas as suas necessidades estão cada vez mais exigentes.

 

 

INTRODUÇÃO

 

A maior preocupação das empresas, atualmente, é com relação ao seu equilíbrio financeiro e sua estabilidade no mercado. Com a oscilação da Economia, as pequenas, médias e grandes empresas, necessitam de um planejamento que interaja nas suas finanças e principalmente traga uma situação econômica – financeira aceitável, para assim poder competir com as concorrentes, principalmente as estrangeiras. A análise econômico-financeira sempre esteve ligada à necessidade de identificação da solidez e da performance das empresas, sendo assim de súbito interesse para os empresários, investidores, credores, concorrentes, Órgãos Governamentais, ou seja, a comunidade em geral. Devido às limitações da análise , houve a necessidade de aprimorar este conhecimento, para que assim supra todas as necessidades capazes de não só analisar dados, como também apontar soluções. O objetivo deste trabalho é mostrar a importância de duas ferramentas indispensáveis da contabilidade para o sucesso das empresas: o Controle Gerencial e a Análise das Demonstrações Financeiras, que não devem ser utilizadas separadamente, pois uma complementa a outra.

 

A FUNÇÃO E A ORIGEM DA ANÁLISE FINANCEIRA

Para se ter um grau de entendimento sobre a situação patrimonial, econômica e financeira de uma entidade, é essencial a compreensão da nomenclatura e estrutura das demonstrações contábeis e de índices financeiros, que são calculados a partir da comparação entre contas ou grupo de contas. Mas, para isso, deve-se observar, quando da elaboração das demonstrações financeiras, as normas contábeis e a complementação dos ordenamentos específicos sobre as denominações das contas e seus agrupamentos.

É por esta razão, que a análise econômico-financeira das empresas torna-se a razão mais freqüente para o desenvolvimento em caráter econômico – financeiro. Um banco, antes de efetuar um empréstimo ou um financiamento, precisará analisar a capacidade de pagamento do tomador de recursos. Outro exemplo, é o do investidor que pretende adquirir ações de determinada empresa. Ele necessitará, com certeza, de uma análise clara da situação econômico-financeira da empresa a ser investida, já que o objetivo do investidor é obter o melhor retorno sobre seu investimento. Cada empresa, internamente, através de seus relatórios, gerados em grande parte pela contabilidade, também precisa analisar seus próprios dados, para conhecer os resultados alcançados e verificar quais os pontos fracos e fortes, através do administrador financeiro, que deve analisar os dados da empresa, para, se necessário, reorientar as ações em termos operacionais e estratégicos.

De um modo geral, os exemplos dados sobre a importância da análise, resumem-se da seguinte forma: a principal preocupação de um credor, obviamente, será no sentido de receber o que emprestou, acrescido de juros e correção monetária. Já o investidor, é saber sobre seu retorno de seu investimento, mantendo certo grau de segurança.

Historicamente, a análise econômico-financeira sempre esteve ligada à necessidade de identificação da solidez e da performance das empresas. A partir do século XIX, nos Estados Unidos, foram surgindo modificações que levaram a distinguir as funções de proprietário e administrador da empresa, que contribuíram para um sistema de auto-avaliação da própria administração.

Esses fatos, de suma importância, deram origem à análise econômico-financeira nas empresas. Nesse mesmo período, banqueiros e credores também começaram a usar formas de avaliação baseadas nas Demonstrações Financeiras. Em 1890, nos Estados Unidos, era comum os bancos comerciais solicitarem Demonstrações Financeiras para avaliação de seus clientes, isto é, seus tomadores de recursos. Já no século XX, finalmente, começou a utilizar-se de índices financeiros, sendo o mais solicitado o Índice de Liquidez Corrente (Ativo Circulante dividido pelo Passivo Circulante), havendo um aumento bastante significativo na demanda por dados financeiros.

Devido a esse aumento de informações financeiras, a Análise das Demonstrações Financeiras desenvolveu-se rapidamente, criando padrões em tais índices. Esse estudo aumentou rapidamente, depois que houve as primeiras falências de grandes empresas, dentre as quais instituições financeiras, que necessitavam de um estudo mais abrangente sobre a tendência dos seus indicadores financeiros ao longo dos anos que antecederam às suas quebras.

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Nos dias atuais, existem vários especialistas desenvolvendo novos estudos e pesquisas de insolvência, principalmente na classificação de risco de empresas.

 

REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DO ANALISTA FINANCEIRO

De um modo geral, o analista é qualquer profissional que desenvolva a análise de uma empresa. Ele deverá selecionar os indicadores que o permita conhecer o desempenho da empresa no período analisado, em face de suas atividades operacionais, bem como identificar quais as grandes decisões de caráter estratégico, que afetam significativamente a estrutura de capitais de uma empresa. Com uma visão mais ampla, o analista tem que buscar referenciais que o facilitem comparar o desempenho de uma empresa com as outras que tenham atividades semelhantes.

Esses indicadores não são apenas o estudo de uma Análise Financeira. Na avaliação de tais indicadores, exige-se que se considerem inúmeros aspectos, sejam eles internos e externos, pois são a partir deles, que se chega à relação entre as atividades das empresas e os seus resultados. Por ser associada a um processo decisório e a saúde financeira de uma empresa (representada pela sua liquidez e rentabilidade), a análise deve interessar à sociedade em geral. Sejam eles dirigentes de empresa, acionistas, credores, concorrentes, Órgãos Governamentais ou a comunidade em geral.

Para os dirigentes de empresas, a análise suporta o planejamento e o controle gerencial. Os administradores desejam conhecer a posição patrimonial e identificar os fatores que afetam a sua evolução. O analista deve analisar os efeitos de decisões anteriores, confrontando os resultados reais com as metas fixadas, detectando os pontos fortes a serem explorados e os pontos fracos a serem corrigidos.

Como já foi citado anteriormente, os acionistas preocupam-se com o retorno do seu investimento, determinado pela valorização das ações nas bolsas e pelos dividendos periodicamente distribuídos. Decidem-se continuamente pela compra e venda de ações a partir de estudos preparados por analistas do mercado de capitais. Esses estudos associam a Análise das Demonstrações Financeiras à avaliação do comportamento das cotações.

De forma bastante abrangente, os credores preocupam-se com a capacidade de solvência da empresa. Por isso, o analista deve avaliar o risco suportado no horizonte de tempo em que ocorrerão os vencimentos das obrigações das empresas. Já os fornecedores preocupam-se com o sucesso de seus grandes clientes. Nesse caso, o analista deve fornecer subsídios para que os fornecedores de bens e serviços possam fazer uma programação da produção e vendas, além de ter uma implementação de seus próprios planos de expansão.

A análise é também de fundamental importância para a concorrência entre empresas. Através dela, as empresas poderão extrair valiosas conclusões através da comparação de diversos dados, tais como: volume de faturamento, giro dos estoques, retorno sobre o investimento total e sobre o capital próprio, novos investimentos em ativos fixos, grau de endividamento, liquidez, etc. Tudo isso permite identificar os pontos fortes e fracos dos concorrentes e as causas determinantes de seus sucessos e fracassos.

Para os Órgãos Governamentais, a análise facilita a fiscalização fazendária das empresas, como também o controle de preços e o julgamento das suas qualificações financeiras em concorrências públicas.

Genericamente, a comunidade onde uma empresa mantém suas dependências, preocupa-se com o sucesso dos seus negócios, uma vez que as empresas de determinada região determinam o crescimento do número de empregos diretos e indiretos, além de maior arrecadação de impostos e taxas, expansão de programas sociais custeados pela própria empresa, etc. Os bons resultados obtidos pela empresa geram progresso e melhor padrão de vida para todos.

Conforme verificamos ao longo do tempo, o mercado de trabalho do analista financeiro sofreu várias tendências quanto ao seu desenvolvimento. Eles desenvolveram vários níveis dentro da sua profissão como: Trainee, Júnior, Pleno, Sênior, Analista, Coordenador, Gerente de departamento de Análise, etc.

Em relação ao seu perfil, é necessário obter características pessoais e profissionais, para desenvolver sua profissão com sucesso. Dentre as pessoais destacam-se: a potencialidade adequada, a função, auto motivação, estabilidade emocional, empatia e diplomacia, habilidade de ouvir com atenção, dentre outras. Tratando-se de habilidades profissionais, as principais são: nível de escolaridade superior, conhecimentos na área de Economia, Contabilidade, Direito, Matemática Financeira, ótima capacidade de redigir e conhecimentos específicos dos negócios relacionados à área de atuação.

A responsabilidade profissional do Analista é de interpretar as informações disponíveis e emitir seu parecer, cabendo a ele analisar com cautela as situações duvidosas, ocorridas pelo fato das informações não serem suficientemente claras, procedendo assim, nesse caso, a uma reclassificação de contas dentro de forma conservadora.

Os Analistas devem estar atentos para a qualidade da documentação, tanto nas pequenas e médias, como também nas grandes empresas. Problemas de irregularidades são freqüentes, tais como: a falta de identificação da empresa nas demonstrações e da assinatura do contador e do responsável pela empresa, contas classificadas de forma incorreta, demonstrações financeiras incompletas e/ou excessivamente sintéticas ou sem as devidas apurações cabíveis (estoque, CMV ou CPV), falta do parecer de auditoria, da DOAR e notas explicativas (no caso das S.A´s); etc.

É preferível que não se faça uma análise, quando as Demonstrações Financeiras não são confiáveis. Dessa maneira, evitam-se tomadas de decisões sem o correto dimensionamento do risco da empresa.

O parecer é o produto final relativo ao processo da análise. Um bom analista, precisa ser possuidor de conhecimentos externos à sua área de atuação, além de que a leitura de seu parecer deve proporcionar ao leitor o conhecimento necessário sobre a empresa, sendo assim auto-explicativo. O analista precisa ter a capacidade de síntese, mas não deverá omitir informações importantes na elaboração de seu parecer, para que a sua análise torne-se uma forte ferramenta para a tomada de decisão.

 

 

 

OS TIPOS E CARACTERÍSTICAS DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

 

Como não existe nenhum padrão para a Análise das Demonstrações Financeiras, existem vários tipos de índices, que são utilizados de acordo com o Analista. No entanto, sinteticamente, pode-se afirmar que os tipos de análises dividem-se em:

  • de Estrutura, Vertical ou de Composição;
  • de Evolução, Horizontal ou de Crescimento;
  • por Diferenças Absolutas, 
  • de Quociente ou Razão.

 

A Análise de Estrutura ou Vertical, tem o objetivo de medir percentualmente cada componente em relação ao todo do qual faz parte e fazer as comparações entre dois ou mais períodos, caso a empresa a ser analisada não esteja em seu primeiro ano de atividades. Já a Análise de Evolução ou Horizontal é de avaliar o aumento ou a diminuição dos valores que expressam os elementos patrimoniais ou do resultado, numa determinada série histórica de exercícios.

No caso da Análise por Diferenças Absolutas, é de avaliar qualitativa e quantitativamente os novos recursos injetados na empresa e a forma como esses recursos foram aplicados. Baseia-se na diferença entre os saldos no início e no fim do período, para determinar o fluxo de origens e aplicações de recursos.

A Análise por Quocientes é determinada em função da relação existente entre dois elementos, indicando quantas vezes um contém o outro ou a proporção de um em relação ao outro. Assim caracterizam-se os Índices de Liquidez, de Endividamento, de Rotação e de Rentabilidade.

Os Índices de Liquidez têm o objetivo de avaliar a capacidade financeira da empresa, para satisfazer compromissos de pagamentos com terceiros. É representado pelos Índices de Liquidez Absoluta, Liquidez Seca, Liquidez Corrente, Liquidez Geral e Solvência Geral.

Como o seu próprio nome diz, os Índices de Endividamento procuram avaliar o percentual de seu endividamento da empresa com terceiros, seja a curto ou a longo prazo. Pode-se até verificar, dependendo do caso e do grau de comprometimento, se a empresa está num processo de insolvência.

Em relação aos Índices de Rotação, pode-se afirmar que são esses os verificadores do giro (velocidade) dos valores aplicados. São representados pelos Índices de Rotação do Ativo, do Patrimônio Líquido, do Ativo Operacional e do Ativo Total Médio. Além dos já citados, existem o Prazo Médio de Renovação de Estoques, de Recebimento de Contas a Receber, de Pagamentos a Fornecedores e Imobilização do Capital Próprio.

A Rotação do Ativo mostra quantas vezes as vendas giraram em relação ao seu Ativo Total. Na Rotação do Patrimônio Líquido revela o que a empresa tem de recursos próprios, girando no Patrimônio Líquido. Já o de Rotação ou Giro do Ativo Operacional, revela a quantidade que as vendas promoveram em relação com o Ativo Operacional. O mesmo acontece no caso do Ativo Total Médio, pois também toma como base as vendas da empresa.

Para o Prazo Médio de Renovação de Estoques, verifica-se quantas vezes os estoques giraram durante período analisado. Isso também vale para o Recebimento de Contas a Receber e Pagamentos a Fornecedores. É importante analisar esses índices cuidadosamente, pois, a partir deles, pode-se saber se a empresa está precisando de recursos complementares em disponibilidades para pagar suas dívidas junto a seus fornecedores. Pois, isso ocorre quando o prazo médio de estoques somado ao de recebimento é superior ao prazo de pagamento concedido pelos fornecedores, ou seja, o seu ciclo financeiro é positivo. O ideal seria que esse ciclo fosse negativo, o que mostraria que a empresa estaria trabalhando com recursos de terceiros, sem haver necessidade de tomar dinheiro emprestado ou colocar dinheiro dos sócios para liquidar suas dívidas junto a seus fornecedores.

Na Imobilização do Capital Próprio teremos, percentualmente, onde o capital próprio foi investido mais intensamente, seja no Ativo Permanente ou em outro investimento.

Para os acionistas, os Índices de Rentabilidade e Lucratividade são os mais importantes. A partir deles tem-se uma avaliação do rendimento obtido pela empresa em determinado período. Os de Lucratividade, indicam ou representam a relação entre o rendimento obtido e o volume de venda (Lucratividade s/Vendas, Lucratividade Operacional, Lucratividade Bruta e Não Operacional).Já os de Rentabilidade, representam a relação entre os rendimentos e o capital investido na empresa (Rentabilidade do Capital Próprio, Rentabilidade do Ativo Total, Rentabilidade do Capital Realizado e do Investimento Total).

Além dos índices citados, também é importante, na constituição de uma análise, a Alavancagem Operacional e Financeira, pois representam de um modo geral, todas as afirmações com bases nos índices anteriores.

A Alavancagem Operacional representa o efeito desproporcional entre a força efetuada numa ponta (a do nível de atividade ou produção) e a força obtida ou resultante na outra (a do lucro). Quanto maior for a produção e quanto mais distante a empresa estiver de seu ponto de equilíbrio (quantidade mínima que a empresa deve produzir para que não tenha prejuízos), menor será o Grau de Alavancagem Operacional, pois a variação (acréscimo ou redução) no volume de produção provocará menor impacto no percentual de lucro.

Já a Alavancagem Financeira, representa a diferença entre a obtenção de recursos de terceiros a um determinado custo e aplicação desses recursos no ativo da empresa a uma determinada taxa; essa diferença (para mais ou para menos), provoca alteração na taxa de retorno sobre o patrimônio líquido.

Todos os índices citados não podem ser analisados isoladamente, mas em conjunto. A quantidade de índices a serem utilizados numa empresa deve ser medida com cautela. Uma grande quantidade pode chegar a confundir o Analista, principalmente se for um iniciante. Por outro lado, uma quantidade muito pequena de índices pode não ser suficiente para chegar-se a conclusões sobre a saúde financeira de uma empresa.

A quantidade e o tipo de índices a serem utilizados vai depender muito do objetivo da própria análise que se pretende desenvolver. O objetivo principal é subsidiar a tomada de decisão de crédito ou de investimento, entre outras.

A análise deve levar a uma classificação do risco da empresa (rating). A ponderação dos índices pode ser:

  • pela comparação dos índices da empresa com padrões de seu segmento, de sua região geográfica e de seu porte;
  • pelo uso de análise discriminante múltipla;
  • por meio da experiência do analista; ou
  • de recursos quantitativos.

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Apesar da contribuição fornecida pelos índices financeiros, é importante destacar que normalmente referem-se ao passado, quando para o analista o mais importante seria saber o que está ocorrendo no presente e o que poderá ocorrer no futuro. Porém, isso não invalida a importância de tais índices, pois, mesmo tratando-se do passado, tem-se um instrumento para se saber como é que a empresa vinha caminhando ao longo dos últimos anos. Dessa forma, os Índices Financeiros sempre serão ferramentas que podem prestar grande auxílio aos analistas, credores e investidores, entre outros usuários.

 

ASPECTOS DA ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA E O PERIGO DE SUA MÁ ABORDAGEM

A empresa necessita estar atenta a todas as mudanças externas que possam vir a atingi-las. Para situar-se no mercado, é fundamental o acompanhamento de suas tendências e do desempenho financeiro e de rentabilidade da concorrência. A tomada de decisão deve ser claramente analisada, verificando se a posição alcançada é satisfatória ou se pretende alcançar um objetivo mais ambicioso.

Sem um padrão comparativo, de nada adiantará analisar os Demonstrativos Financeiros. Por exemplo, se um empresário é chamado para uma reunião e ao observar o relatório verifica determinado valor com relação ao retorno sobre investimento de sua empresa, que para ele neste caso, ou para qualquer outra pessoa,que não tem conhecimento técnico específico, é um número perdido no tempo e no espaço. É necessário que haja uma medida comparativa, para que se permita formular juízos do tipo melhor ou pior.

Para alcançar tal objetivo na Análise das Demonstrações Financeiras, é vital a utilização de padrões, que podem ser internos e externos. Quando se refere à própria empresa é interno, destacando-se os exercícios ou períodos passados e os orçamentos (quando se tem o hábito de elaborá-los), para assim obter uma referência para julgamento da rigidez financeira. É externo, quando se toma por comparação dados referentes a terceiros, que podem ser um competidor direto ou até a média global de todo o setor na qual a empresa opera como os benchmarks (Taxa de Mercado Setorial), encontrados em revistas especializadas.

Um outro fator importante dentro da análise, é a capacidade de pagamento de uma empresa, por meio dos Índices de Liquidez, que é considerada um dos itens mais importantes no processo de avaliação do desempenho da empresa, como também, a análise da relação do capital de terceiros sobre o capital próprio, por meio de endividamento e da análise do investimento.

Um aspecto que merece ser esclarecido, é que a análise tem função de apontar o porquê de determinada situação de rentabilidade e de liquidez de uma empresa e principalmente o que poderá acontecer se não forem realizadas (ou se o cenário econômico não mudar). É uma questão de demonstrar alguns fluxos projetados que só têm a beneficiar as empresas. Muitas vezes, a Análise das Demonstrações Financeiras serve mais para formular perguntas inteligentes para a investigação mais profunda, do que para fornecer respostas imediatas.

Além disso, no processo da análise, deve-se saber que os indicadores de liquidez e o seu aspecto restritivo como informação efetiva para a tomada de decisão, deve ser questionada cuidadosamente, pois somente reflete a condição de pagamento na data da elaboração do Balanço Patrimonial. Qualquer evento posterior no momento seguinte pode alterar completamente a condição de pagamento da empresa, invalidando até uma avaliação positiva feita anteriormente.

Um exemplo clássico do aspecto citado é o episódio da desvalorização cambial, ocorrido inicialmente no nosso país em janeiro de 1999. De um dia para o outro, os ativos e passivos realizáveis em moeda estrangeira tiveram um grande aumento decorrente da desvalorização da moeda brasileira, aumentando a expressão monetária em reais dos créditos e débitos vinculados a moedas estrangeiras.

Além da análise da capacidade de pagamento pelos índices de liquidez, é fundamental o monitoramento de sua rentabilidade. A possibilidade de a empresa sofrer problemas de liquidez está totalmente ligada à sua capacidade de geração de lucros. Obtendo a capacidade de gerar lucros e também de caixa, a empresa terá naturalmente a capacidade de solver seus compromissos, isto por que os ganhos serão maiores que os gastos.

Um último e polêmico aspecto a ser discutido é com relação a ética. Suponhamos que uma empresa, em grandes dificuldades financeiras, necessite de um financiamento e procure uma instituição financeira, que, por sua vez, pede as suas demonstrações financeiras. A empresa poderá pedir aos profissionais da contabilidade que confeccionem demonstrações financeiras não condizentes com a realidade da empresa, com o intuito exclusivo de conseguir os recursos junto à instituição financeira. O contador, que provavelmente é o analista interno da empresa, sabe a gravidade de tal decisão. O que fazer? Sabe-se bem, que além de ferir o Código de Ética Profissional, está preste a cometer um risco vital para a empresa. Obviamente, existe um outro profissional a serviço do banco, que analisará tais documentos e poderá detectar tal fraude.

Assim diz o Código de Ética Profissional do Contabilista:

“Artigo 3º – No desempenho de suas funções, é vedado ao contabilista:

(…)

XVII – Iludir ou tentar iludir a boa fé de cliente, empregador ou de terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças contábeis inidôneas. (…) ”.

Até que ponto se mantém uma postura ética? Segundo Enory Luiz Spinelli, “ter ética é essencial ao desenvolvimento profissional e uma organização contábil precisa promover a responsabilidade social e ética.”

É através do pensamento do “jeitinho” que surgem repercussões negativas da profissão contábil, pois quando o favorecido é o cliente, fica comodamente sigiloso, por outro lado, ao ver-se prejudicado, parte para a denúncia. A questão da ética precisa ser trabalhada de forma integrada, para romper resistências à credibilidade e à seriedade profissional.

ANÁLISE FINANCEIRA E CONTABILIDADE GERENCIAL: DUAS FERRRAMENTAS QUE DEVEM SER UTILIZADAS INTEGRALMENTE

Nunca houve um caso conhecido em que um investimento tivesse sido realizado apenas baseado nos resultados das Análises Contábeis da empresa. Mas, também, não é conhecido nenhum caso de sucesso a longo prazo no investimento em ações, em que a análise dos relacionamentos contábeis não desempenhe algum papel, como infra-estrutura de uma análise fundamentalista.

Segundo Sérgio Iudicibus, a Análise de Balanço caracteriza-se como a “arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivemos em mente dos relatórios tradicionais de suas extensões, se for o caso”. Deve-se ter a consciência de que a Análise das Demonstrações Financeiras é uma arte, que por sua vez não existe nenhum roteiro padronizado que leve sempre às mesmas conclusões, dentro das mesmas circunstâncias. Outro fator a ser lembrado, é que a Análise das Demonstrações Financeiras, pela sua natureza financeira, apresenta limitações, que deverão ser sempre lembradas.

É devido às suas limitações que não se pode separá-la da Contabilidade Gerencial, pois é através dela que se supre as demais necessidades. A Contabilidade Gerencial está voltada única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que se “encaixem” no modelo decisório do administrador.

Esse modelo decisório leva em conta cursos de ações futuras, informes sobre situações passadas ou presentes. Somente serão insumos de valor para o modelo decisório à medida que o passado e o presente sejam estimadores válidos daquilo que poderá acontecer no futuro, em situações comparáveis já ocorridas.

A Análise Financeira e das demonstrações financeiras deve ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações. Por um lado, aponta mais problemas do que soluções, por outro lado, convenientemente manuseada, pode transformar-se num poderoso “painel de controle” da administração. Levando-se em consideração apenas os valores de Balanços e Demonstrativos Financeiros, ainda tem uma limitação adicional, que é a não utilização de quantidades ou unidades físicas, juntamente com os valores.

Informações quantitativas em unidades físicas, freqüentemente são tão importantes quanto os valores, pois realçam em utilidade, quando relacionados uns com os outros. A análise quantitativa e qualitativa das fontes e usos de recursos pode fornecer muitas indicações úteis à administração para otimizar a estrutura de recursos e minimizar seus custos. Da mesma maneira, acontece com uma análise dos fluxos de caixa, porque auxilia a desvendar os períodos. Apesar de boa rentabilidade a empresa poderá precisar de financiamentos.

O quantitativo e demais fatores que não se obtêm na Análise das Demonstrações Financeiras são estudados e analisados claramente na Contabilidade Gerencial, que deverá ser feita pelo “Contador Gerencial”. Na prática, entretanto, não existe esse cargo. O contador gerencial poderá ser o controlador da empresa, que também é chamado de “Controller”.

Controladoria é o ramo da Contabilidade que está em grande abrangência nos dias atuais. Esse profissional engloba todas as funções acima citadas (Contador, Administrador Financeiro, Analista, Economista etc.). É a partir dele que, além da Análise Financeira, se estudarão outros procedimentos de caráter gerencial para um melhor desenvolvimento das empresas. Ele é capaz de estimar resultados, atribuir orçamentos, dentre outros. Vale salientar, que, devido a tanta abrangência, é praticamente impossível trabalhar sem uma equipe, na maior parte dos casos. Como, por exemplo, ele necessitará de informações do diretor comercial para estimar vendas e posteriormente lucros.

A Análise Financeira, a Contabilidade Gerencial, a Economia, as informações internas da empresa no seu âmbito comercial e financeiro, devem ser trabalhados continuamente. Assim como é vital as Demonstrações Contábeis para a constituição de uma análise, o Administrador necessita de um Analista para se obter um relatório mais dedutivo que um exemplar de balancete para a tomada de decisões. Um necessita do outro para atingir um objetivo em comum: a lucratividade.

 

AS VERDADEIRAS ATRIBUIÇÕES DE UM CONTADOR NO MUNDO GLOBALIZADO

Todo contabilista, seja ele um Técnico ou um Contador, deve desempenhar um papel além de suas funções técnicas, pois através dessa atribuição ele será responsável pelo progresso, respeito e sobrevivência da sua própria profissão, que é o papel da conscientização para com a sociedade em relação à importância do profissional contábil.

Infelizmente nos países pouco desenvolvidos, como o Brasil, a Contabilidade ainda não ocupou o papel merecido com relação à sua importância para a economia do País. A visão do empresário, de um modo geral, ainda não percebeu a verdadeira função da Contabilidade, que apesar de nos últimos anos essa conscientização ter prosperado intensamente, principalmente após o processo da Globalização, ainda existem pessoas com a visão de que a Contabilidade é uma informação apenas representativa do passado ou só de utilidade para as informações de tributos junto ao fisco.

Essa visão, nos dias de hoje, só traz prejuízo para as empresas e conseqüentemente à sociedade, além de desvalorizar a profissão contábil. As necessidades do mercado trazem benefícios para o esclarecimento da profissão, porém nem sempre indicam o caminho que leva à Contabilidade. Cabe aos profissionais mudar tal situação, utilizando a própria contabilidade como arma para vencer todos os obstáculos, deixando para traz toda a desinformação e sempre buscando as suas ramificações para tornar público a sua verdadeira função e importância.

Vimos anteriormente, o papel do Analista na sociedade. Sabemos que todo esse ramo, hoje bastante explorado, como também outros, partem exclusivamente da Contabilidade, apontando assim, mais uma vez, a sua importância.

Dentro de um setor de Contabilidade e Controle de grandes empresas, as tarefas devem ser estruturadas em etapas distintas: uma para o processo de conferência e classificação das contas, uma área exclusiva para escrituração e registros de lançamentos contábeis, outra para a revisão/conciliação de análise de contas e outra de apoio na área fiscal e tributária (participação nos processos licitatórios promovidos pela Entidade), analisando a documentação apresentada pelos participantes. Com esses procedimentos básicos a Contabilidade tornar-se-á mais ágil no processo de controlar as mutações ocorridas na evolução do patrimônio.

A Contabilidade deve deixar para traz o uso de processos rotineiros, passando a utilizar mais os recursos tecnológicos existentes, aprimorando o conhecimento científico e dominando sempre as explicações teóricas sobre a evolução patrimonial. A elaboração de relatórios e orçamentos também contribuem para a visualização e entendimento da Contabilidade, além de ser uma ferramenta importante para a tomada de decisão.

Um relatório gerencial permite demonstrar, de forma clara, ao empresário ou a outras pessoas interessadas, as informações contábeis medidas percentual ou quantitativamente. Nele podemos utilizar gráficos com explicações precisas, mas com uma linguagem menos técnica, para que o leitor, que nem sempre é uma pessoa com conhecimentos técnicos, consiga lê-lo e compreendê-lo.

O orçamento, que é um instrumento de grande importância gerencial, está ligado ao campo da controladoria. Para a sua elaboração são necessárias duas características: abrangência e boa qualidade, quando se diz respeito à informação.

Pela abrangência, verifica-se que o orçamento deve ser bem estruturado, seja numa atividade pública ou privada, utilizando tudo o que constitui uma unidade organizacional, que expressa seus programas de trabalho em termos financeiros. O reflexo de um bom controle orçamentário é uma boa administração, pois deste modo não permite que nenhum fato modificativo do resultado patrimonial escape desse controle.

Pela qualidade, sua principal característica é expressar números, objetivamente exprimindo dinheiro ou volume de serviços ou de bens a produzir. Pode-se considerar o orçamento como um método estatístico, que mediante a utilização das regras matemáticas, transforma-as em modelo econômico.

Em qualquer empresa é necessário que se mantenha um orçamento de despesas e receitas, que busquem uma relação entre gastos e ingressos de recursos de um período, para que se tenha um equilíbrio entre eles, evitando problemas futuros.

Resumidamente, o profissional contábil deve estar atento a todas as novas funções, que só fazem aprimorar a profissão. Um bom sistema de controle orçamentário, integrado ao sistema de contabilidade, pode contribuir para a sobrevivência da menor e mais simples organização, como também a evolução e o crescimento de uma grande organização, de um Estado ou até mesmo de uma Nação.

A contabilidade hoje é responsável pelo controle e coordenação das operações e avaliação da rentabilidade dos produtos fabricados e pelo caminho a ser trilhado. Assim diz Claudecy da Silva: “A Sociedade produz e o Contabilista conduz”.

CONCLUSÃO

O contador, que era visto meramente como um “guarda – livros”, tornou-se um agente indispensável nas empresas, fornecendo dados essenciais aos empresários para a tomada de decisão, por isso atualmente necessita sempre estar à frente das várias informações de diversificados setores, para assim ser capaz de transmitir a qualquer pessoa que as necessita. A análise financeira e o controle gerencial são atualmente essenciais para o desenvolvimento de qualquer azienda, devido as grandes mudanças e tendências que temos em nossa Economia, principalmente ligadas aos riscos internos e externos. A visão da sua real importância, vem sendo discutida e analisada em todo o mundo, graças ao avanço da tecnologia no processo da globalização, principalmente por revelar o verdadeiro retrato econômico-financeiro. Os empresários devem estar atentos a todas essas mudanças e os profissionais de contabilidade, devem estar sempre se atualizando, já que o mercado de trabalho e todas as suas necessidades, estão cada vez mais exigentes, beneficiando a todos. Cabe a todos nós divulgar e esclarecer para toda a sociedade a importância de se trabalhar em conjunto, respectivamente em sua área, não esquecendo de observar o que estar ao nosso redor e acima de tudo, valorizar o serviço do próximo, obtendo dessa forma o objetivo em comum: o sucesso e a prosperidade do país.

 

BIBLIOGRAFIA

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SÁ, Antônio Lopes de. “O Check-up Financeiro da Empresa”. In: IOB – Temática Contábil e Balanços, Ano XXXV – 2ª semana de Março de 2001, nº10,

NEVES, Silvério das, VICECONTI, Paulo Eduardo V. Contabilidade Avançada, Editora Frase, 9ª Edição,2000.

FONTE DO ARTIGO: http://www.estacio.br/graduacao/cienciascontabeis/resenhas/analise_financeira.pdf

A Importância da Gestão de Custos para tomada de decisões. junho 20, 2008

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A Importância da Gestão de Custos para tomada de decisões.

No ambiente da globalização, a gestão estratégica de custos surge como uma resposta para atender às demandas do sistema econômico com relação às novas perspectivas e alternativas proporcionadas pela remodelação dos mercados em um contexto de busca por melhoria contínua da competitividade. Uma das principais ferramentas de gestão de custos para apoiar a competitividade é o custo meta, que incorpora conceitos como desenvolvimento multifuncional e inovação presentes na essência teórica da globalização e da gestão estratégica de custos. Desta forma, quero abordar a importância da gestão de custos para tomadas de decisões dentro das organizações empresariais sérias e competentes.

Ter a idéia de quem não faz o controle correto de suas receitas e seus custos, pode ir a “quebradeira” pode parecer brincadeira , mas hoje no país poucas as empresas adotam uma política de controle de custos de forma coerente e eficaz.

Hoje em dia até as pequenas e micro empresas recebem apoio do SEBRAE para saber mensurar os custos fixos o que geralmente sufoca as empresas e pode levar estas a falência se algo em termos de gestão não for feito.

Não so as empresas mas como também o país sofre com o chamado custo BRASIL, quem banca isso?? Como diminuir este custo para que o país possa ser competitivo??

Todos nós quando passamos a conhecer um pouco sobre “custos” ficamos impressionados com a falta de gestão nestes.

Os elementos que compõem o Custo Brasil são, por definição, externos às empresas reduzir o custo significa atuar sobre os fatores de competitividade de natureza sistêmica, que exigem uma ação coordenada da sociedade, com a liderança do executivo e do Congresso.

Os desafios enfrentados pela economia brasileira nos últimos anos induziram as empresas a atuarem sobre os fatores de competitividade que estão sob sua esfera de decisão. É isso que explica os ganhos de produtividade expressivos que foram obtidos pela indústria brasileira neste início dos anos 90. O setor privado continuará cumprido sua parte, mas é certo que avanços mais significativos dependem cada vez mais da redução do Custo Brasil.

Reduzir o Custo Brasil não é um processo rápido e,muito menos, indolor, existirão perdedores neste processo, que são os que se beneficiam de uma legislação inadequada e confusa e do monopólio legal em algumas atividades, por outro lado, existirão muitos ganhadores,já que a redução do Custo Brasil beneficia os consumidores, que passam a adquirir produtos a menores preços e com qualidade superior.

Para diminuir o custo Brasil, o país deverá implementar medidas que tenha como alvo a diminuição da carga tributária, melhoria nas condições de financiamento para aumentar a atratividade do setor exportador, mais incentivos as empresas, pois, o que elas ganham hoje são apenas altas taxas de impostos.

Com o que acabamos de ler temos a certeza que se este país reduzir os custos através de uma grande reforma não so tributária, mas nas leis este sim poderia ser chamado de país do futuro. Não podemos perde o bonde ou melhor o país vive um momento no cenário internacional “mercado” muito bom , mas se perdermos de vista os controles de gastos a relação custo/benefício, ficaremos para trás na cenário internacional.

Custo Brasil junho 20, 2008

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Introdução:

“Custo Brasil” tem-se constituído uma expressão genérica para alguns fatores desfavoráveis à competitividade de setores ou empresas da economia brasileira que não dependem das próprias empresas, ou seja, da qualidade de seus produtos, de seus custos etc. Credita-se atualmente no Brasil grande confiança na eliminação desses fatores de custo como instrumento para – em conjunto com aumentos de produtividade – reverter-se, sem fortes mudanças nos patamares das taxas reais de câmbio, a tendência de valores negativos no saldo comercial.

Algumas vezes, a expressão se refere às distorções presentes na estrutura tributária que oneram desnecessariamente algumas exportações. Outras vezes, aponta-se o custo com transportes terrestres, portos, comunicações etc., cujo estado de deterioração está hoje elevado em função da insuficiência de investimentos públicos em infra-estrutura desde o início dos anos 80. Também, em outras ocasiões, mencionam-se encargos sociais supostamente maiores que no exterior.

Reformas no sistema tributário e privatização são apontadas como soluções do problema. No segundo caso, o resultado final dependerá principalmente da extensão em que se faça acompanhar por investimentos maciços. Não apenas nos segmentos cuja lucratividade operacional já seja atraente de imediato, como também em outros componentes da infra-estrutura, cujo retorno para a economia como um todo se apresente maior do que o expresso na rentabilidade corrente.

Algumas perguntas e respostas para ajudar entender um pouco melhor o CUSTO BRASIL

O que é o “Custo Brasil”?

A grosso modo, o “Custo Brasil” é o custo de se produzir no Brasil. Não há uma tentativa de medida tão concreta quanto à do “Risco Brasil”, mas é uma medida mais facilmente compreendida, porque existe de fato internamente e é sentida claramente por todos os empreendedores.

Como é o cenário das decisões?

Do mesmo modo que o investidor produtivo nacional faz as contas para decidir se prefere investir em ações ou títulos ou montar/investir em uma empresa, o investidor estrangeiro também fará suas contas para verificar qual país tem mais condições de lhe render um lucro maior na sua produção, levando em consideração diversos fatores. É o chamado investimento direto. E isto inclui tanto os cenários nacionais e os internacionais, ou seja, tudo o que acontece no Brasil e no mundo.

Quais os principais fatores que afetam a decisão do empreendedor?

Se a mão-de-obra é barata e os impostos baixos, facilita o empreendimento. Se os insumos são facilmente adquiridos/explorados/transportados, já é uma grande vantagem. Se o mercado é promissor, aí o maior passo está dado. Se o câmbio e a inflação estão controlados e as taxas de juros baixas, o conjunto está completo.

A tabela no final do item mostra os principais itens que contam para medir o “Custo Brasil” e impedem ou ajudam na entrada de investimentos diretos de capitais estrangeiros.

Qual é a realidade do Brasil em relação a medidas de custo de outros países?

É boa em alguns fatores e ruim em outros. Em se tratando de impostos, o “Custo Brasil” é muito alto. Temos uma das maiores cargas tributárias do mundo. Quanto ao custo da mão-de-obra e a facilidade de obtenção de recursos naturais, não temos do que nos queixar quando comparamos o Brasil com outros países. Já na infra-estrutura de transportes, por exemplo, não estamos entre os países mais desenvolvidos, embora tenhamos uma das maiores malhas rodoviárias do planeta. E o fornecimento de energia não é seguro, haja vista o período de racionamento vivido em 2001.

Sofremos com impostos altos, tanto os empresários como os trabalhadores. Não existe alguma forma de resolver isto?

Nos EUA dos anos 80, a ordem era baixar impostos para aumentar impostos. Como é isso? Lá, reduzir os impostos faz com que os empresários invistam mais. Investindo mais, mais impostos retornam ao governo. A idéia é lógica e funciona. Mesmo que não haja aumento real da arrecadação com estas medidas, no mínimo a economia irá se aquecer mais e a população se beneficiará. No Brasil, o grande impedimento contrário a medidas desta natureza é a sonegação, que é enorme. Isto talvez pudesse reduzir a arrecadação do governo em vez de aumentar. Temos uma questão tautológica em voga: a sonegação existe porque a carga tributária é alta ou a carga tributária é alta porque a sonegação existe? O ideal aqui, além da fiscalização, seria uma boa reforma tributária, amplamente medida e negociada.

Como seria uma boa reforma tributária?

Já foram várias as tentativas de se votar uma reforma tributária consistente, substituindo, por exemplo, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e outros impostos pelo IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) e o IVV (Imposto sobre Vendas a Varejo), acabando com a cobrança de impostos em cascata (um imposto sobre o produto na fabricação, outro sobre o mesmo produto na distribuição e outro ainda sobre o mesmo produto no comércio, o que faz o preço chegar muito alto ao consumidor) e mudando a natureza de cobrança, que atualmente é sobre o produto e seria sobre o lucro do empreendedor. Esta última mudança daria margem à redução do preço do produto e, qual fosse o lucro da empresa, seria tributado o imposto correspondente à alíquota estabelecida. Mas esta medida é bastante polêmica, pois não se tem idéia do que seria mais fácil sonegar ou fraudar: o lucro como um todo ou cada produto.

A votação de uma Reforma Tributária mais complexa esbarra nos estados da federação, que têm no ICMS a sua principal fonte de arrecadação e viram a possibilidade da substituição do imposto como uma diminuição de suas receitas, não aceitando outras propostas mais ousadas. O Brasil está com um problema de “cobertor curto”: se favorece a União, prejudica os estados e vice-versa.

A carga tributária brasileira está entre as mais altas do mundo, beirando 40% do PIB. Mesmo na China, país supostamente comunista, ela não atinge 20%. Infelizmente, diferente do que acontece em outros países, no Brasil o comércio não é obrigado a discriminar o valor dos impostos na nota fiscal. Se fosse esse o caso, a maior parte das pessoas possivelmente ficaria surpresa ao saber quanto do que está sendo pago é absorvido pelo governo. Na tabela seguinte, retirada do “Guia Valor Econômico de Tributos”, é mostrada a carga tributária que recai sobre um liquidificador que custa R$ 48,00 ao consumidor final:

Preço do varejista para o consumidor

R$ 48,00

ICMS

R$ 8,64

PIS, Cofins e CPMF

R$ 4,27

IPI do fabricante mais tributos acumulados
sobre matéria prima

R$ 3,02

IR e CSLL

R$ 5,31

Custo de produção e aquisição na indústria
menos tributos

R$ 16,48

Lucro disponível para distribuição

R$ 10,28

Como se pode observar, nada menos que R$ 21,24, ou 44,25%, dos R$ 48,00 pagos pelo consumidor consistem em impostos. Em alguns produtos, a carga tributária pode superar 100%.

2 - O Custo Brasil com enfoque nas relações do trabalho

No final do século XX ouvia-se falar insistentemente no tal CUSTO BRASIL.

Diziam os “experts” (espertos,inteligentes,supra sumo da sabedoria) que são parte preponderante do CUSTO BRASIL os encargos sociais , ou seja, os direitos dos trabalhadores, tanto os constantes da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT quanto os benefícios previdenciários.

Seriam realmente estes o que se convencionou chamar de CUSTO BRASIL?

Pelo menos foi no que acreditou o nosso querido presidente da virada do milênio, tão querido que foi primeiro a ser reeleito.

Também acreditavam nessa tese os demais políticos que davam apoio e suporte ao seu governo no Congresso Nacional, os mesmos que deram suporte às privatizações porque acreditavam que com ela haveria redução dos preços dos serviços antes prestados por empresas estatais.

Pelo menos neste ponto, enganaram-se redondamente.

As primeiras providências tomadas para a redução do CUSTO BRASIL foram justamente as tentativas de redução dos direitos trabalhistas conquistados em décadas de lutas e campanhas sindicais.

Como podem ser os baixos salários e os encargos trabalhistas e previdenciários os vilões dos custos dos produtos fabricados no Brasil?

Se o salário médio nos Estados Unidos da América está situado por volta dos US$ 3.000,00 (três mil dólares) SEM os encargos sociais e no Brasil esse mesmo salário médio chega a US$ 600,00 (seiscentos dólares), já inclusos os encargos sociais, é evidente que o Custo Brasil é cinco vezes mais baixo do que o Norte-americano e os custos dos demais países desenvolvidos.

3 – O Custo Brasil com enfoque no custo de capital

O Custo Brasil está justamente no investimento estrangeiro feito no Brasil, aquele efetuado pelas empresas multinacionais, e também nos altos juros pagos aos credores de nossa dívida externa e interna.

Exemplo: Certa multinacional anuncia um investimento de US$ 2 bilhões no Brasil.

Ao contrário do que se imagina, o investimento não é feito em moeda estrangeira, possibilitando a compra ou fabricação de bens de produção em território nacional.

Na prática, é enviada para o Brasil como investimento estrangeiro uma linha de produção contabilizada na Matriz por US$ 100 milhões, cujo valor seria lançado a prejuízo, porque os equipamentos foram considerados obsoletos e inaproveitáveis.

Com a remessa da sucata para o Brasil, no lugar de contabilizar US$ 100 milhões de prejuízo no exterior, a Matriz acaba lançando US$ 1,9 bilhões de lucro. Por que? Porque está remetendo a sucata pelo preço de US$ 2 bilhões.

Em razão desse investimento super avaliado (inflado artificialmente) os custos fixos de fabricação no BRASIL passam a ser vinte vezes maior do idêntico produto já obsoleto fabricado no exterior.

Por outro lado, na Matirz a linha de produção estava instalada para produzir um milhão de unidades,enquanto que aqui fabricará apenas duzentas mil,aumentando o custo fixo em 5 vezes. Por isso sempre ouvimos falar que no Brasil a produtividade é baixa e que o parque industrial está produzindo abaixo da capacidade instalada.

Como vimos, sendo os bens de produção vinte vezes mais caros e a produção cinco vezes menor, o produto fabricado aqui terá seu custo fixo em 100 vezes mais caro do que na Matriz,compensando em parte pelos gastos com a mão-de-obra que aqui são dez vezes menores do que nos paises desenvolvidos, não considerados os encargos sociais.Estes encargos correspondem no Brasil a aproximadamente 100% da mão-de-obra.

Com custos fixos tão elevados as multinacionais dificilmente têm lucros tributáveis no Brasil, razão pela qual os seus dirigentes vivem dizendo, em entrevistas pagas,que vêm acumulando prejuízos ao longo do tempo em que aqui estão instaladas as indústrias.

Então, perguntamos: Se as multinacionais vêm acumulando prejuízos, por que não abandonam o negócio, retirando-se do País?

Não se retiram porque a verdadeira mina de ouro é aqui e porque o lucro já foi antecipadamente remetido para o exterior mediante a importação de maquinaria super avaliada e da exportação de produção subfaturada.

A exportação é feita por preços bem inferiores aos de venda no mercado interno, enquanto que a importação é feita por preços superiores aos de venda no exterior.

4 - A influência do Custo Brasil na economia e empresas e seus reflexos na bolsa de valores.

A economia brasileira acumulou ao longo de muitos anos um conjunto de ineficiências e distorções que prejudicam a competitividade do setor produtivo,tais ineficiências estão expressas basicamente em uma legislação inadequada e em graves deficiências no provimento de bens públicos.Reduzir o Custo Brasil significaraia incentivar o crescimento dos investimentos externos no país, grantindo assim patamares superiores de produção e emprego.

O Custo Brasil está embutido nas distorções do nosso sistema tributário, que impõe uma carga desigual, com sobretaxação do setor industrial, uma inaceitável tributação sobre as exportações e sobre os investimentos que implica altos custos administrativos.

O custo também está na Legislação Trabalhista, dado o excesso e a rigidez dos encargos trabalhistas e na precariedade do sistema de educação e de saúde.Está na obsolescência da infra-estrutura dos transportes, nos elevados custos portuários, no estrangulamento do sistema energético e está presente também nos elevados custos de transação da regulamentação da atividade econômica que é excessiva e onerosa.

“ Nossos índices econômicos e os indicadores industriais seriam hoje muito mais significativos e certamente,também, nossos índices sociais – se o governo já tivesse cumprido o compromisso de se empenhar na aprovação de uma ampla reforma tributária,que permitiria mais investimentos na produção e daria grande impulso ás exportações.hoje,no entanto, continuamos sendo grandes exportadores de impostos”.

NECESSIDADE DE REDUZIR O CUSTO BRASIL

Os elementos que compõem o Custo Brasil são, por definição, externos às empresas reduzir o custo significa atuar sobre os fatores de competitividade de natureza sistêmica, que exigem uma ação coordenada da sociedade, com a liderança do executivo e do Congresso.

Os desafios enfrentados pela economia brasileira nos últimos anos induziram as empresas a atuarem sobre os fatores de competitividade que estão sob sua esfera de decisão. É isso que explica os ganhos de produtividade expressivos que foram obtidos pela indústria brasileira neste início dos anos 90. O setor privado continuará cumprido sua parte, mas é certo que avanços mais significativos dependem cada vez mais da redução do Custo Brasil.

Reduzir o Custo Brasil não é um processo rápido e,muito menos, indolor, existirão perdedores neste processo, que são os que se beneficiam de uma legislação inadequada e confusa e do monopólio legal em algumas atividades, por outro lado, existirão muitos ganhadores,já que a redução do Custo Brasil beneficia os consumidores, que passam a adquirir produtos a menores preços e com qualidade superior.

Para diminuir o custo Brasil, o país deverá implementar medidas que tenha como alvo a diminuição da carga tributária, melhoria nas condições de financiamento para aumentar a atratividade do setor exportador, mais incentivos as empresas, pois, o que elas ganham hoje são apenas altas taxas de impostos.

Com isso nas atuais crises o Brasil não ficaria tão fragilizado com índices que medem a desconfiança em manter com seus compromissos financeiros.Certamente, uma melhoria na reestruturação da carga tributária diminuiria os impactos sobre a economia brasileira.

“Principais fatores que influenciam o “Custo Brasil”

ITEM

+ MAIS

MENOS

COMENTÁRIOS

Câmbio e inflação

Manutenção do. dólar e inflação baixos

Inflação e dólar em alta

Preços maiores, mercado consumidor menor

Preço da Mão-de-Obra

Barata

Cara

Maiores ou menores custos

Recursos naturais e insumos

Facilidade de obtenção

Dificuldade de obtenção

Maiores ou menores custos

Taxas de juros

Baixas

Altas

Financiamento da produção

Mercado consumidor e distribuição de renda

Mercado amplo e boa capacidade de consumo

Mercado restrito e baixa capacidade de consumo

Mais consumidores e boa distribuição de renda, maior mercado consumidor

Capacidade de entrada no mercado e privatização

Demanda grande e concessões públicas

Demanda pequena ou sem concessões

Mercado saturado, entrada mais difícil. Privatização abre portas.

Reforma Tributária

Velocidade das votações e concretização da reforma

Morosidade

Uma carga tributária alta, no Brasil, aumenta os custos e desanima o empreendedor

Política de subsídios

Vantajosa

Ausente ou fraca

Venda certa ou insumos e juros mais baratos

Risco Brasil

Baixo

Alto

Influencia na decisão do estrangeiro investir

Infra-estrutura: portos, estradas, fretes, energia

Situação ótima, boa, regular

Situação ruim, precária

Infra-estrutura precária: inibe investimentos

Análise dos reflexos do Custo Brasil e dos entraves que impedem nosso crescimento

Outro problema é a burocracia. Na Austrália, é possível abrir uma empresa em dois dias, através da Internet. No Brasil, a abertura de uma empresa envolve 17 procedimentos, levando no mínimo 152 dias. Alguns exemplos mostram a que ponto a coisa chegou:

  • A maior siderúrgica chinesa, a Baiosteel, começou a negociar a abertura de uma instalação em São Luís, no Maranhão. Dois anos depois, o projeto ainda não saiu do papel. Enquanto isso, uma instalação chinesa semelhante iniciada no mesmo período já foi erguida e está produzindo.
  • A Motorola se propôs a investir uma cifra da ordem de alguns milhões de dólares na criação de uma fábrica de circuitos integrados, em colaboração com universidades públicas brasileiras – o projeto LatinChip. Desde 1998, o projeto ainda não conseguiu decolar.
  • A Novartis tentou, em 2000, montar um centro de pesquisa no país. Estava disposta a investir 120 milhões de dólares. A máquina burocrática brasileira conseguiu dissuadir a empresa da idéia, e hoje o laboratório está instalado em Cingapura. Tem dois vencedores do prêmio Nobel no conselho.

Essas são empresas grandes, que vieram para cá querendo investir, injetar dinheiro na economia local, gerar empregos, mas foram incapazes de cruzar a selva burocrática brasileira. Se eles não conseguiram, pobre do candidato a empreendedor local, talvez com uma boa idéia, com o sonho de transformá-la em um negócio.

O exemplo acima demonstra que investidores estrangeiros olham para o país com boas intenções de alavancar a economia e trazer investimentos altos para o país, mas a nossa máquina de gerar esta com modelo velho e ultrapassado, ou seja o governo que tanto prega o desenvolvimento estrangula os mesmos, devido a uma série de motivos que vão desde a falta de infra-estrutura básica para um país crescer até as velhas leis ultrapassadas que emperram o nosso crescimento.

Saída de estrangeiros da Bovespa é recorde

A saída recorde de estrangeiros do pregão da Bovespa em julho foi a principal causa da queda no mercado acionário no mês passado. O saldo de compra e venda de ações por estrangeiros ficou negativo em R$ 3,248 bilhões nos pregões de julho da Bolsa. Foi o mês que registrou o pior saldo no fluxo de investimentos estrangeiros desde o Plano Real (1994).

A Bovespa, que caiu 0,39% em julho, não fechava um mês no vermelho desde fevereiro.

A causa da fuga de estrangeiros foi a turbulência global desencadeada pelo mercado de crédito habitacional nos EUA que assustou os investidores. Eles preferiram vender ações em todos os mercados e comprar títulos mais seguros, como os do Tesouro americano.

“As dúvidas com o futuro das hipotecas nos EUA assustaram e afugentaram os investidores dos emergentes, como o Brasil. Mas essa não é uma tendência que deve se manter, é apenas um período de maior instabilidade. Os investidores estrangeiros seguem atentos e interessados nos papéis brasileiros”, avalia Fausto Gouveia, analista da Alpes Corretora.

Há cerca de três anos os estrangeiros são o segmento de investidores que mais negocia ações na Bovespa. Por isso geralmente determinam o rumo do mercado acionário brasileiro.

Neste ano, a participação dos estrangeiros representa 34,6% das operações. A segunda categoria com maior peso é a dos investidores institucionais (basicamente fundos de pensão), com 28,6% dos negócios. O investidor pessoa física, fatia crescente na Bovespa, responde por 23% das operações.

Em julho, as operações dos investidores institucionais registraram saldo positivo de R$ 3,36 bilhões. E as de pessoa física, negativa em R$ 161,4 milhões.

“Em julho houve uma saída mais forte de estrangeiros devido ao aumento da aversão ao risco, originada nos temores de outros setores da economia americana serem afetados com a crise [de crédito hipotecário]”, afirmou Marco Franklin, sócio da Paraty Investimentos. “Mas entendo que esse cenário seja momentâneo”, disse.

Mais do que no mercado à vista, a participação dos estrangeiros nos IPOs (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) tem sido bastante expressiva. Em 2007, com 46 IPOs realizados até agora, o capital externo absorveu 67% do volume ofertado.

Para analistas, se a turbulência aprofundar a crise nos mercados, algumas empresas devem suspender planos de abertura de capital. Há quem veja nessa revisão de planos um “ajuste” necessário num mercado exuberante que surfava no excesso de liquidez global.

Títulos

A saída de estrangeiros de papéis brasileiros não se restringiu ao mercado acionário. Isso é o que mostra a escalada do risco-país, especialmente nas duas últimas semanas de julho.

O risco-país é medido pelo banco americano JP Morgan a partir de uma cesta de títulos da dívida externa. Quando os investidores internacionais procuram com maior apetite esses papéis da dívida externa, o risco-país recua. O inverso ocorre quando os títulos são vendidos de forma mais expressiva.

O risco subiu quase 30% no mês passado, fruto da venda pesada de títulos da dívida brasileira. No dia 26, o risco alcançou os 222 pontos, maior patamar do ano. No começo de julho, estava em 157 pontos.

Quanto mais elevado os pontos registrados no risco, maiores as dificuldades e os custos para os setores público e privado captarem recursos no mercado internacional. Com a tensão diminuindo nos últimos dias, o risco-país brasileiro caiu. No fim das operações de ontem marcava 201 pontos.

“ Brasil perde competitividade ante emergentes e o vilão não é só o risco Brasil o custo também esta incluso nessa” .

O Brasil perdeu, entre 2000 e 2006, posições em 14 de 24 indicadores utilizados para avaliar a sua competitividade frente às outras principais economias emergentes do mundo (Rússia, Índia, China e México), indica um estudo da Câmara de Comércio americana divulgado nesta segunda-feira.

Segundo o estudo, embora tenha melhorado em termos absolutos (ou seja, na comparação consigo mesmo) na maior parte dos indicadores utilizados, o país progrediu menos dos que os demais países avaliados.

O risco soberano, por exemplo, que é o risco de países não pagarem seus credores, seja por dificuldades macroeconômicas ou por decisão política, apresentou melhora nos últimos seis anos – mas o fato de o avanço ter sido inferior ao de outros países avaliados fez o Brasil cair da 2ª para a 4ª posição no ranking que mede esse indicador.

O “Painel de Competitividade 2006″ compilou índices desenvolvidos por instituições como Banco Mundial, ONU e Transparência Internacional para compor o que são chamados de os três pilares da competitividade: custo e disponibilidade de capital (no qual entram fatores como risco soberano e taxa real de juros), custo fiscal e institucional (carga tributária e índice de percepção de corrupção, entre outros) e custo operacional, categoria mais ligada à infra-estrutura e às leis que regem o funcionamento das empresas (tempo de abertura, patentes, capacitação de mão de obra, etc).

No índice composto, formado pelos 24 indicadores, o Brasil fica em 4º e último lugar, empatado com o México, apresentando desempenho “especialmente insatisfatório” nos fatores que medem o custo fiscal e institucional e o custo operacional.

“Quando comparados a alguns de nossos principais competidores, mais especificamente Rússia, Índia, China e México, entre o mesmo período (2000 a 2006), apresentamos melhora em apenas dois indicadores, saindo da 5ª colocação para a 4ª (em termos de) leis Trabalhistas e funcionamento da Justiça”, afirma o estudo, que em seguida ressalva que em apenas um desses critérios (leis trabalhistas), a melhora se deu por “esforço próprio”.

“No caso do funcionamento da Justiça, passamos a Índia, não porque melhoramos, mas porque pioramos menos que esse país.”

O estudo foi elaborado por especialistas da Câmara Americana de Comércio em parceria com a organização Movimento Brasil Competitivo Bric-M.

Os autores do estudo usam uma avaliação do brasilianista Albert Fishlow, da Universidade Columbia, para justificar a inclusão do México entre os países analisados.

Segundo Fishlow, os mexicanos estão mais aptos do que o próprio Brasil a fazer parte dos grandes emergentes do planeta. Hoje, esta categoria se designa pela sigla Bric, cunhada pelo banco Goldman Sachs para se referir ao Brasil, Rússia, Índia e China.

“Para avaliar a competitividade brasileira, o painel foca além dos parceiros do Brasil no Bric, também o México, formando assim o chamado Bric-M”, explica o estudo.

Embora tenha colocado a economia brasileira na mesma posição do seu concorrente latino-americano, o estudo da Câmara Americana de Comércio ressalva que o México apresenta uma leve vantagem em relação ao Brasil.

“Muito mais importante do que a pequena vantagem é a tendência (de melhora mais rápida por parte do México)”, afirmou o presidente do Movimento Brasil Competitivo (MDC), José Fernando Mattos, durante o evento em que foi apresentado o estudo na sede da câmara, em São Paulo.

Para comparar os desempenhos dos países por indicador, os autores do estudo criaram três faixas progressivas (vermelho, ou baixo; amarelo, ou intermediário; e verde, ou alto). O Brasil apresenta cinco indicadores na fração alta, nove na intermediária e dez na baixa.

A China, líder no ranking, tem 13 indicadores verdes, seguida pela Índia, com oito, e pela Rússia, com sete. As variáveis escolhidas para medir a competitividade, explica o estudo, “caracterizam principalmente o ambiente macroeconômico, institucional e legal” nos quais as empresas se inserem, de forma a medir como esse ambiente propicia – ou inibe – desenvolvimento.

Custo de investimento produtivo no Brasil é o 3º maior do mundo

O empresário brasileiro arca hoje com um dos maiores custos do mundo para realizar novos investimentos. Numa lista de 47 países elaborada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o Brasil aparece em terceiro lugar, em situação melhor apenas que Tailândia e Irlanda.

Os custos no País são 30% maiores que os da China e até 118% superiores aos da Coréia do Sul, dois países que são concorrentes diretos das empresas brasileiras.No mercado mundial.Embora o preço de máquinas, equipamentos, instalações e construções venha crescendo a taxas declinantes no País, o Iedi cita que a inflação sobre os bens finais de consumo das famílias e do governo tem sido bem mais suave. “Assim, em um contexto de elevadas taxas de juros, desestimula-se o investimento produtivo”, diz Edgard Pereira, economista-chefe da entidade.

Para calcular o custo relativo do investimento fixo nas diferentes partes do mundo, o Iedi criou um índice com base em dados do Projeto Link, que é financiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e recebe informações de todos os países. Entre 1970 e 2005, o custo do investimento fixo no Brasil cresceu 31%, enquanto no Chile houve recuo de 7% e na Argentina, de 5%. O Brasil perde feio para os chamados tigres asiáticos. Em Cingapura, esse custo caiu 15% e na Malásia, 20%. Na Coréia do Sul, a redução chegou a 40%. Já na Hungria, que apresenta o custo de investimento mais baixo entre os países analisados, a queda foi de 47%.

Risco: Não é por obra do acaso que o Brasil não tem conseguido atingir taxas de investimento compatíveis com um crescimento sustentado de 5% ao ano, como pretende o governo. Mesmo tendo crescido por três anos seguidos, a formação bruta de capital fixo atingiu 15,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, mas ainda assim continua entre as mais baixas desde 1947. Essa taxa só é superior à do biênio 1992-1993, além do intervalo mais recente de 2002-2005.

“A taxa de investimento é muito baixa porque o custo é muito alto”, diz Pereira. “Por que correr o risco de imobilizar sua riqueza em máquinas e equipamentos se existe a opção de aplicar recursos em títulos do governo com taxas de juros que rendem lucro certo?”, indaga o economista do Iedi.

“Se eu ganhasse sozinho na Mega Sena pensaria dez vezes antes de investir na produção, a menos que fosse num setor de commodities”, ironiza o empresário Mário Bernardini, dono da MGM Mecânica e Máquinas.

De acordo com Bernardini, para investir, “preciso pensar que vou pagar 15% ao ano para bancos e 40% para o governo e, depois, brigar com as importações, que são subsidiadas pelo câmbio, por meio da depreciação no país de origem e da sobrevalorização aqui”. A MGM, que atua no segmento de máquinas para mármores e granitos, deixou de exportar e de investir há alguns anos. “Nas condições macroeconômicas atuais, não há como competir lá fora”, diz Bernardini. “Já o mercado interno, que depende da construção civil e esteve muito ruim, agora dá sinais de retomada.” A pesquisa do Iedi mostra, no entanto, que o custo do investimento fixo apresentou queda de 1,5% em 2006, refletindo a desoneração tributária de bens de capital ocorrida em 2005, além da redução da taxa de juros e da desvalorização do real frente ao dólar, o que barateia a importação de máquinas e equipamentos. “Se o custo do investimento não cair de forma mais significativa, o empresário vai optar por investir num país onde o custo seja menor”, adverte o economista do Iedi.

Não é de hoje que o empresário Fuad Mattar, presidente da Paramount Lansul, uma das principais indústrias do setor têxtil brasileiro, planeja investir na China. Responsável no País pela grife francesa Lacoste, a Paramount Lansul tem uma tradição de 120 anos no mercado. “Ainda não me convenci de que devo desistir de lutar para convencer nossos governantes da necessidade de termos uma política industrial eficiente”, conta o empresário.

Não fosse isso, Mattar teria motivos de sobra para jogar a toalha e tentar um negócio fora do País. “Temos um câmbio de R$ 1,87, que é ótimo para investir, mas na hora de pôr as máquinas para funcionar, esse valor sobe para R$ 2,50, por conta da carga tributária.” Além de caro, o crédito para investimento no País tem prazo muito curto, de no máximo dez anos, para empresas de primeira linha. Já nos países asiáticos, esse prazo chega a 25 anos. “Eles (os asiáticos) também não tributam investimentos e têm um câmbio muito favorável para exportação”, observa o empresário.”Enquanto estivermos com um canivete e eles com uma metralhadora, não dá para competir.” Paulo Francini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), observa que “aquilo que chamamos de ambiente hostil à produção é o mesmo que está no cenário de quem deseja fazer investimento no País”. Para ele, entre as poucas vantagens comparativas do País nessa área estão a terra e o clima, que favorecem investimentos em cana-de-açúcar, papel e agronegócio.”Nenhuma indústria de transformação escolheria investir no Brasil só por causa da nossa ginga e jogo de corpo no carnaval e no futebol”, diz, bem-humorado. “Ninguém, está interessado nisso, e sim em

Potencial

Segundo os autores, o fato de o Brasil ser o segundo melhor colocado (atrás da Índia) no indicador que mede empreendedorismo mostra que o setor privado tem grande potencial competitivo, mas precisa de “melhores condições para se desenvolver”.

O estudo destaca como particularmente negativos fatores como a elevada carga tributária (em 2004, 35% do PIB, a mais alta do Bric-M), a demora no processo de abertura de empresas (152 dias, “muito maior” que no restante dos países Bric-M), e o risco soberano (que, além de ser o pior dos países analisados, exige altas taxas de juros para atrair investimentos).

Os autores defendem um ajuste fiscal “através da maior eficiência do setor público” e maiores investimentos em educação e treinamento profissional, para que o país consiga melhores resultados na produtividade e na capacitação de mão de obra, indicador em que está em penúltimo lugar, ganhando apenas da China.

Bibliografia:

Revista Eletrônica Custo Brasil

Jornal Gazeta Mercantil

Site Cosif – www.cosif.com.br

Jornal Folha de São Paulo

Publicações e Artigos

Site Espaço Acadêmico – www.espacoacademico.com.br

Site Repórter Brasil – www.reporterbrasil.com.br

Publicações site Bovespa

UMA ABORDAGEM GERENCIAL DO PONTO DE EQUILIBRIO. junho 12, 2008

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Por: Rodrigo Boratto, Publicado 17/02/2008 em: <http://www.webartigos.com/articles/4307/1/ponto-de-equilibrio-uma-ferramenta-de-gestao-eficiente/pagina1.html>

Na atual conjuntura do mercado, a busca pela competitividade é um fator chave para o sucesso de qualquer empresa. Por isso, identificar e desenvolver ferramentas gerenciais eficazes é muito importante para que as organizações alcancem a sustentabilidade e possam atender às crescentes exigências do mercado.

Em meio a esse ambiente é que surge a necessidade de adoção de um correto ponto de equilíbrio para a análise da organização, pois o grau de relação entre diversas variáveis – como o preço de venda, custos fixos e variáveis, margens de contribuição, etc. – possibilita aos gestores assumirem premissas que os auxiliarão no processo de tomada de decisão de curto prazo. Devido as suas características e objetivos, o ponto de equilíbrio é considerado uma das mais importantes ferramentas de gestão da atualidade.     

Poucas organizações sabem quais as quantidades mínimas de produtos a serem produzidos ou vendidos para que obtenham resultados positivos, e isto ocorre porque muitas não enxergam o ponto de equilíbrio como uma técnica muito útil, de fácil aplicabilidade e outros até mesmo por desconhecê-lo.
O ponto de equilíbrio é o volume em que as receitas totais igualam-se aos custos totais de um mesmo período considerado. Além disso, pode ser analisado quanto a sua aplicabilidade sob três aspectos: contábil, econômico e financeiro.

O ponto de equilíbrio contábil ou operacional é o mais comum e tradicional para análises, onde, conforme o explicado anteriormente, o valor das receitas iguala-se ao das despesas. É o quociente simples da divisão dos valores dos custos e despesas fixas pela margem de contribuição unitária. Nesse aspecto, não haveria lucro e nem prejuízo contábil. Outrossim, alguns especialistas ressaltam que esse aspecto já estaria ultrapassado pelo fato de não considerar plenamente os interesses dos gestores, embora seja bastante utilizado para auxilio na tomada de decisão de caráter mais urgente, quando a decisão de acertar com algum cliente possa proporcionar um elevado potencial gerador de receitas e lucros no futuro .

O ponto de equilíbrio econômico é aquele que leva em consideração as despesas e as receitas financeiras, acrescidas do saldo da correção monetária, isto é, quando a soma das margens de contribuição totalizar um valor que, ao se deduzir os custos e despesas fixas, for suficiente para remunerar o capital próprio da empresa a uma taxa satisfatória aos acionistas e compatível com mercado. Seu valor se dá através do calculo da soma dos custos e despesas fixas com o valor de um lucro mínimo estipulado que atenda às exigências dos proprietários no período e o resultado dividido pela margem de contribuição.

Já o ponto de equilíbrio financeiro leva em consideração valores intrínsecos aos custos e despesas fixas totais e que são apropriados sem o respectivo desembolso, como é o caso da depreciação, por exemplo. Dessa forma, o cálculo levaria em conta a diferença dos custos fixos e despesas fixas totais com os valores sem desembolso de numerário, dividida pela margem de contribuição unitária. Esse aspecto é considerado o mais completo para uma análise detalhada.

Assim, a observação do ponto de equilíbrio permite de forma eficiente e simplificada identificar onde ocorreram descontroles, variações positivas e/ou negativas nos diversos itens que compõe o mesmo, bem como possibilita uma avaliação e planejamento de ajustes necessários para corrigi-las em tempo hábil de se recuperar os resultados negativos e melhorar aqueles almejados em períodos futuros.

A importância da gestão de custos, para a tomada de decisão maio 12, 2008

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